Nós

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O silêncio seu tem som de tempestade,
Meu falatório tem cheiro de calmaria.
Eu sou ventania,
Você é água da chuva.

Você cai devagar sobre mim, sem pressa.
Eu chego fazendo bagunça.

Você é livro pra ser lido com calma,
Eu sou música pra dançar em festa.

Você é uma criatura do céu,
Eu sou animal do mar.

Você disse que eu te trago felicidade,
Eu acredito que você me traz calma.

Ninguém sabe o que tem de baixo do escuro dos nossos olhos.

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Sentinela

Eu deixo a lua cheia iluminar o céu,
Pra deixar o lobo envolver meu sono.
Com a silhueta que é perfeitamente feita pra minha,
Ele fecha seus olhos de sentinela.

Minha alma felina, me confunde os cheiros
Que eu deixei repousar no meu cabelo.
Do teu beijo na minha boca,
Da tua testa e teu nariz nos meus.

Confunde também meus sentidos
Que quando dorme e enquanto o tempo passa
Muda seu humor e você me deixa,
Você vai, caça meus sentimentos e volta.

Pra dizer que é meu protetor, sempre foi.
A cada lua eu sou mais sua,
A cada noite o inverno finge que não me vê,
Você chegou pra me acalmar.

Replay

bad_habit_by_jordanrobin-d5d7z7g

Eu não quero mais ver aquele rosto,
Para não desejar tê-lo.
Eu não posso mais pensar no seu amor,
Que quero senti-lo.

Eu só desejo seus lábios,
Suas manhas, desejos, sonhos , fetiches,
E uma amostra grátis do verão de 2013,
No meu inverno de 2015.

Queria que você parasse de remexer a gororoba que eu fiz.
Queria ser o sangue que escorre do seu machucado,
Não o esparadrapo.
Queria ser a mulher que você… Ana….

Queria você por inteiro,
No meu peito,
Sem mais palhaçada,
Dizendo que me ama.

Borderline

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Venha, que eu vou te ensinar a não sofrer mais.

Quando eu não faço mais barulho,
Eu vejo que gritam no meu lugar.

Saibam que vampiros não gostam de pirraça,
E quando eles vêm reclamar
Vocês apontam esses dedos longos pra minha boca fechada.

Minha mente berra, agonizando sem mais
E queria que as pessoas amassem além das falhas
E suportassem a dor como se tivessem tomado morfina.

Se apaixonar é adquirir câncer.

Você mente. Eu sei que chorou ontem.
Eu vejo seus olhos manchados de vermelho nas pontas.
Eu sinto que sua dor já apertou meu peito.

Le Soir

____by_lover_and_the_wild-d7h5fxfVocê me obrigou a ser fria,
Tirou meu sono,
Me fez sentir saudade calada.
“Eu não tenho o que dizer.”

Me olho no espelho
E como se eu visse uma rosa desbotada e escurecida
Eu me vejo culpando o destino e você.
Só queria um amor aqui, nesse lado do mapa.

Só queria uma história, um carinho
Alguém pra abraçar e um final de tarde vermelho da cor do sol.
No final eu fiz tanta coisa que nem sei quem eu sou.
Bebi tanta crença que nem sei mais qual cálice é meu.

E mesmo assim eu estou aqui,
Como se tivesse uma pedra de gelo nas minhas entranhas
Eu vou ficando velha por amar demais.
Eu vou ficando despedaçada por sofrer demais.

Mas mesmo assim eu não quero pena,
Só uma reação, um dia de cada vez.
Me dê mais 20 minutos e eu crio um novo personagem
Lá se vai mais um suposto homem perfeito.

N.

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Eu achava que a beleza acabava depois do horizonte,
Aí eu vi aquela pele morena, marcada,
Olhei aquela boca vermelha e me senti beijada,
Aquele cabelo que crescia até abaixo dos ombros e ondulava.

Era onda, era mar, era ela.
Eu nunca vi os olhos de Capitu,
Mas eu vi os olhos dela
E de repente Machado de Assis fez sentido.

A beleza fez sentido mediante aquela visão,
Em tons de marrom, barro, cobre…
Ela teria feito Jim Morrison se apaixonar.
Ela teria feito Jimi Hendrix ressuscitar.
E mesmo assim ela preferiu ficar na praia vendo as ondas.

Bolero

Eu só entro em jogos pra ganhar, meu bem.
Se eu jogo é pra te botar num labirinto,
Pra fazer você se perder,
Pra fazer você se encantar.

Você gira em círculos e volta pra onde eu comecei.
Eu quis te provocar,
Eu sou de provocação.
Te joguei na minha rede igual sereia, mas era esperto igual a malandro.

Tinha cor de pele de malandro,
Bigode de malandro,
Chapéu de malandro, jeito de malandro,
Mas quem deu o ritmo foi eu.

E disse que lembrava um bolero,
A forma que eu jogava minhas cartas.
Que eu tinha jeito de cigana, obliqua, dissimulada,
Mas tô mais pra menina, eu quero só brincar.

Céu

“Entre o céu e o firmamento.”
Ela disse, apontando para o horizonte.
Mas já não vejo mais nada firme nesse firmamento.

Acredito em meu andar trôpego e maldito.
Que tropeça, trocam os pés e quase cai.
Aqui sou ateu a qualquer coisa firme.
Minha vida cambaleia tanto quanto meu andar.

Como se eu tivesse bebido muito,
Mas eu não bebi nada
Nem água, que pelo menos me hidrataria e me deixaria chorar.

Um bêbado se enche de ilusão
Enquanto eu pareço ter tomado uma surra do que diz ser real.
Se eu pudesse viveria a base de uma filosofia platônica,
Mas como de outro modo é impossível eu tento fechar os olhos.

Estou nessa de acabar sonhando com o céu azul
E acordar na merda.
Estou sentindo a brisa e ouvindo o barulho do mar
Estou olhando pro maremoto e esperando o furacão.

Gabriel

Das doze horas que temos nos sobram beijos.
Incluindo mais uns quinze minutos sentindo sua barba na minha bochecha.
E outros cinco segundos tentando desvendar a cor dos seus olhos.

Pro resto dos próximos anos podemos pensar em pequenas pausas pra nos ver.
Que o tempo não nos quebre, nem a saudade nos esfrie,
Mas que com você eu aprenda a apreciar cada momento
E assim eu possa te ensinar a me amar.

A ansiedade me mata a cada segundo.
Entrego minha mente nos braços da minha imaginação.
Incerta de que um dia eu possa desvendar seus pensamentos.
No final eu sinto uma vibração que resulta na mistura das nossas energias.

De onde vem isso? Daquele nariz roçando no meu pescoço.
Acalmando meu coração e garantindo as virtudes que eu me recuso a ver.
Você vem devagar como os dias que passam,
Não diz nada, mas promete ser algo inédito e minha alma acredita.

Um dia seu perfume vai impregnar na minha pele.
Como seu sotaque impregnou na minha língua.
Enquanto eu sorrio ao sentir o gosto de aventura da sua boca
O contraste perfeito da calma dos seus olhos.
Mesmo temendo você passar eu deixo rolar.

Luara

Cores compõem o universo,
De cores seu espírito é preenchido.
Acende a luz, mas tem receio de ver além das chamas
E o mundo está sempre pegando fogo.

Dona do futuro, de si e também das cinzas do passado
Da sabedoria que duvida pertencer a esse ser.
Alma antiga. Jogada as feras do mundo moderno,
Mas sempre tão paciente que até aceito a franqueza.

Que no final das contas é tudo que a madrugada consome
Além do cansaço de uma conexão multilateral.
Mas aí ela está. É invisível tão como um anjo;
Ilumina a noite fria com a resistência de um sol da meia noite.

Seja por sorte ou azar. Pra bem ou mal.
Ela insiste em existir tal como flor na lama.
Derrama e chora como as chuvas.
E no final das contas é só uma dessas leoas adormecidas.