Podre

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Tendo o sangue Goytacá
Sangue que não é podre,
Mas apodrece como o bom sangue velho derramado.

Velho em tempo e se renova a cada dia,
Do menino do mato ao menino do morro.
Nenhum dos dois conseguiu fugir da bala
Da pistola do português ao fuzil do tráfico.

Cai mais um, cai mais dois.
Cai filho de Tupã, cai filho de Ogum.
Cai nas mãos santas de quem catequizou,
De quem descaracterizou.

Cultura milenar reduzida a pó e carne morta,
Reduzida aos filhos de uma pátria dita inferior,
Dita pouco evoluída, dita fraca.
Reduzida a espelhos, estupros e assassinatos.

O valão carrega água suja,
De suor, de sangue, de bosta.

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