28

É roça, é centro
É o desfile de moda na Avenida Pelinca,
É a correria do Centro,
E as prostitutas da 21

A paixão queima como as usinas de açúcar,
E a planície vasta se enche da cana.
A fuligem ainda cai junto com a tarde
Suja meu vestido branco, e eu gosto

Sou índia goitacá que morreu em mãos portuguesas
Sou o vento na Praça São Salvador
Sou o frenesi intenso na 28 de março
Sou as águas do Paraíba

Carrego em mim essa coisa,
de cidade pequena que cresceu.
Guardo em mim as preces da catedral
Os receios dessa gente simples.

Uns tem o sonho de fugir.
Mas eu quero ficar.
Na grandiosidade que se expande além do centro.
Sou da burguesia que se espalha pela noite,
Sou da família simples que ainda acende o lampião ao crepúsculo.

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